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<title>Cantinho da Psicologia </title>
<link>http://cantinhodapsicologia.nireblog.com</link>
<description>Por Emanuela Fernandes </description>
<pubDate>Tue, 09 Feb 2010 15:58:00 -0300</pubDate>
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<title>Cantinho da Psicologia </title>
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	<title>Um jeito de ser.  De Carl Ranson ROGERS</title>
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		<description><![CDATA[<p><img id="image397730" alt="rogers_.jpg"<br />
       <strong><em>Por Emanuela Fernandes</em></strong></p>
<p>
No texto, Rogers começa falando sobre o propósito desse texto. Em seguida ele destaca que  duas tendências tiveram grande importância em seu pensamento que eram: a tendência à realização, como característica da vida orgânica; e a tendência formativa, que é característica do universo e que juntas, elas constituem a pedra angular da proposta abordagem.<br />
	Com relação às características da abordagem, o autor deixa bem claro que os indivíduos têm dentro de si uma grande capacidade e recursos para a autocompensação e para a modificação de seus conceitos, atitudes e comportamentos. Havendo, portanto, três condições que favorecem o crescimento: a) a autenticidade, sinceridade ou congruência; que implica o terapeuta ser ele mesmo no processo, sendo transparente,  pois isso favorece a mudança e o crescimento; b) a aceitação incondicional, em que o terapeuta deve criar um clima de aceitação, positiva independente do tipo de atitude do cliente; c) a compreensão empática, em que ele deve captar os sentimentos e significados do cliente.<br />
	“A abordagem centrada no cliente baseia-se na confiança em todos os seres humanos e em todos os organismos” como seres capazes aprender, de mudar, se melhorar; daí a tendência atualizante. Há assim um fluxo de movimento em direção à realização construtiva das possibilidades que são inerentes a esse indivíduo. Portanto,  a expressão mais utilizada pelo autor é ‘tendência realizadora’, pois o homem tem essa potência criadora e geradora de melhorias pessoais e a eterna busca da satisfação pessoal. Assim, todos os seus comportamentos estão direcionados à sua manutenção, seu crescimento e reprodução; sendo isso o alicerce da abordagem centrada na pessoa.<br />
	Rogers vai beber em Goldstein, em Maslow, em Angyal, a idéia dessa tendência à auto-realização como resposta fundamental ao pulsar dos organismos.<br />
	Essa tendência à auto-realização é o substrato de toda motivação do homem; podendo ser expressada das mais diversas formas de comportamentos gerados por necessidades. A necessidade de brincar, descobrir o universo, explorar e produzir mudanças no ambiente são todas expressões dessa tendência. Com isso, os indivíduos sempre estão ‘à busca de algo, sempre iniciando, sempre prontos para alguma coisa nova’.<br />
	Outra grande tendência é a tendência formativa. Segundo ele ‘ parece existir no universo uma tendência formativa que pode ser observada em qualquer nível. ’ Ao contrário do que pensam os físicos, que o homem tende à destruição, a deteriorização e desordem. Existe sempre uma tendência à complexidade! Assim, ele vem opor entropia a sintropia. Onde a primeira é essa tendência à deteriorização e a segunda, ‘uma tendência mórfica, sempre atuante em direção a uma ordem crescente e uma complexidade inter-relacionada, visível tanto no nível orgânico como inorgânico.’ O universo está em permanente construção, assim como em deteriorização e isso deve ser estendido ao ser humano.<br />
	A consciência nos seres humanos desempenha um papel importante na função formativa, ainda que pequeno. ‘Quando há autoconsciência torna-se possível uma escolha mais fundamentada, livre de introjeções, uma escolha consciente mais em sintonia com o fluxo evolutivo’. Quando alguém está funcionando a pleno vapor não há inibições, barreiras que impeçam a vivência integral, pois ‘a pessoa está  se movimentando em direção à inteireza, à integração, á vida unificada. A consciência  está participando dessa tendência  formativa, mais ampla e criativa.’<br />
	Pelo que pude perceber ao longo da construção do texto, rogers propõe que o individuo SEJA! E que é isso que importa; que vivencie suas experiências sem o julgamento dos outros e assim possam encontrar a mudança que eles mesmos julguem necessária, caminhando na direção que imagine interessante e proveitosa!
</p>
<p><a href="http://cantinhodapsicologia.nireblog.com/post/2008/09/16/um-jeito-de-ser-de-carl-ranson-rogers#comments">Comments</a></p>]]></description>
	<pubDate>Tue, 16 Sep 2008 17:27:34 -0300</pubDate>	</item>
	<item>
	<title>O inconsciente estruturado como Linguagem in: A negação da falta. De Márcio Peter de Souza</title>
	<link>http://cantinhodapsicologia.nireblog.com/post/2008/09/16/o-inconsciente-estruturado-como-linguagem-in-a-negaaao-da-falta-de-marcio-peter-de-souza</link>
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		<description><![CDATA[<p><em><strong>Por Emanuela Fernandes  e  Josy Sales Vierira</strong></em></p>
<p>      Propusemo-nos a trabalhar aqui os conceitos de Lacan no que diz respeito ao Inconsciente estruturado como linguagem. Para mim, quando falo em linguagem, logo me vem à mente o ilustre João Guimarães Rosa, com seu Sagarana e seu Grande Sertão: Veredas. Neles encontramos, pelo menos ao meu ver, a expressão máxima da linguagem. Ele realiza uma verdadeira recriação da linguagem, redimensionando o léxico e ultrapassando os limites do mero regionalismo. A linguagem rosiana é a um só tempo regional e universal, presente e atemporal, popular e erudita. A linguagem do sertanejo, do homem da terra, que expressa através de suas palavras tudo aquilo que sua alma está cheia.<br />
	Assim, no discurso cada palavra se encadeia à outra já que duas palavras não podem ser pronunciadas ao mesmo tempo; produzindo uma cadeia de palavras, uma cadeia de significados. Chamamos Sintagma  estas combinações de palavras encadeadas na linearidade da fala. Aqui o valor de um termo está na oposição ao termo anterior, ao posterior ou aos dois.<br />
	A estrutura como a relação de elementos adquire sentido pela sua posição em relação a uma falta. Para a psicanálise essa falta é produzida pela castração, como manifestação da lei contra o incesto, entendendo a castração como a operação simbólica que produz a perda de um objeto imaginário.<br />
	Segundo F. de Saussure (apud LEITE(1992)), “a linguagem é um sistema histórico com os seus aspectos social e individual indissociáveis.” Nos propõe que tomemos a língua como uma parte essencial da linguagem. Apresenta a língua como uma totalidade e um princípio de classificação, passiva. Produto social da linguagem e conjunto de convenções acordadas socialmente que possibilita o uso individual, ou a sua execução que é a fala.” A fala, sendo individual, precisa, para exteriorizar um pensamento, o uso do código da língua e os mecanismos psicofísicos que a fazem possível, ativa. Há língua porque há sujeitos falantes. Saussure define o signo lingüístico como a associação psíquica de um conceito, que chamará significado, com uma imagem acústica, que chamará significante.<br />
     	A palavra é, portanto,  presença e ausência da coisa. Ela designa a coisa e a coloca em "em si", na sua ordem de realidade.<br />
	Lacan vem e  inverte o que Saussure pensa sobre a linguagem, que se dava por essa relação entre o significado e o significante. Para ele, a supremacia é do significante, havendo assim não uma relação entre esses dois elementos mas sim uma cisão, um abismo; daí a  idéia de relação, onde um significante faz relação com outro significante formando uma rede, como pensou também Foucault.<br />
	Nosso psiquismo possui três instâncias: o Imaginário, que se dá pela imagem, onde há o Eu, a identidade, marcando o desenho do ser, na relação euàoutro; o Simbólico, que é a linguagem, onde está o sujeito, que é dividido, não sendo somente do consciente, mas do consciente /inconsciente; e o Real, onde está o indizível, o enigma, podendo ser entendido como a pulsão de morte! O desejo do homem é o desejo do Outro. Há uma primazia do Imaginário sobre o Real na medida em que o eu se forma a partir do outro e que não existe nada preestabelecido nas funções do sujeito que seja anterior á sua formação a partir do Outro.<br />
	Lacan trabalhou também a idéia de tempo lógico. Para ele todo processo psíquico é tripartido, ou seja, possui três momentos. O primeiro é o Instante de ver, o segundo o Tempo de compreender e o terceiro o Momento de Concluir.<br />
	Assim, em seus estudos, Lacan dá um salto da matemática à lingüística. Dizendo, então, que o Outro é “o lugar do tesouro do significante, o que não quer dizer do código define o Outro como sendo, para o sujeito, “o lugar de onde pode ser colocado, para ele, a questão de sua existência”, isto é: de sua sexualidade e de seu desejo, de sua procriação e de sua filiação, de sua existência e de sua morte, do destino que terá sido o seu.<br />
Lacan foi um grande intérprete da doutrina freudiana, fazendo sua leitura não para ultrapassá-la ou conservá-la, mas com o objetivo, ele mesmo confessou,  de “retornar literalmente aos textos de Freud”.
</p>
<p><a href="http://cantinhodapsicologia.nireblog.com/post/2008/09/16/o-inconsciente-estruturado-como-linguagem-in-a-negaaao-da-falta-de-marcio-peter-de-souza#comments">Comments</a></p>]]></description>
	<pubDate>Tue, 16 Sep 2008 17:19:46 -0300</pubDate>	</item>
	<item>
	<title>Além do princípio de prazer, de Sigmund FREUD </title>
	<link>http://cantinhodapsicologia.nireblog.com/post/2008/09/16/alem-do-principio-de-prazer-de-sigmund-freud</link>
	<guid>http://cantinhodapsicologia.nireblog.com/post/2008/09/16/alem-do-principio-de-prazer-de-sigmund-freud</guid>
		<description><![CDATA[<p><em>Por  Emanuela Fernandes e Josy  Sales</em></p>
<p><img id="image397722" alt="fantasia31.jpg" src="http://files.nireblog.com/blogs4/cantinhodapsicologia/files/fantasia31.jpg" align="middle" class="imgcentro" /></p>
<p>Elsa tem 82 anos, 60 dos quais viveu sonhando conhecer a Fontana di Trevi. É uma  menina divertida, audaz, travessa, que gosta de desafiar as convenções, ainda que esconda uma doença que a cada dia lhe consume o corpo, mas não a alma. Alfredo é um pouco mais jovem e sempre foi um autêntico neurótico obsessivo: um homem de bem, cuidadoso com a família, fiel a sua mulher e que sempre cumpriu com seu dever de pai, marido e cidadão. Com ele “tudo” parecia estar bem, mas ao ficar viúvo se desconserta, se angustia pela ausência da esposa. Num belo dia ele conhece Elsa! A partir desse momento tudo se transforma. O que antes havia passado a ser uma morte lenta e gradual, em que só vivia para tomar suas medicações e receber os cuidados de sua filha, passou a ser alegria. Elsa surge em sua vida como um torvelinho, disposta a demonstrar-lhe que a vida pulsa, que é linda e cheia de coisas para viver e que o que resta de vida é precioso e deve ser desfrutando da melhor maneira possível... Mas por que falar sobre Elsa e Fred¹? Porque aqui encontramos claramente pulsão, quer dizer, pulsões de vida do começo ao fim do filme, bem como pulsão de morte também, afinal ela está presente em toda satisfação. Elsa vê beleza, cor e desfruta cada momento de sua vida, embora seja pra ela uma verdadeira morte ter que ir às sessões de hemodiálise; coisa que ela oculta de seu novo amor.<br />
     <em>"Além do Princípio de Prazer"</em> é um artigo meta psicológico que tece considerações sobre o amor, o ódio, o sadismo, o masoquismo. Sobre como a pulsão de morte assume a fisionomia do ódio, da agressividade e como ela opera. Freud introduz essa nova força regendo nossa vida que até então era governada exclusivamente pelo princípio do prazer. Trata de algo que vai além do sentir prazer. Agora teremos não só o prazer, mas algo impedindo que ele exista: o princípio da realidade (que tem a ver com o supereu dos pais) e o retorno do recalcado acionando o desprazer no prazer.  Podemos perceber no filme que quando Fred tenta se entregar aos gracejos de Elsa, ele sofre, embora lhe pareça ser interessante a mocinha de 80 anos.   Com o surgimento dessa nova força não quer dizer que vai retirar ou excluir a outra já existente. O que antes, no princípio do prazer, se dava  entre as forças da sexualidade e as forças de auto-conservação agora temos para além disso. E é assim que  surgem mais claramente os conceitos de “Pulsão de vida”, onde a energia circula, e “Pulsão de morte” ela não circula.<br />
     O conflito entre pulsão de vida e pulsão de morte é um conflito eterno, em que o homem fica esmagado na luta que se estabelece entre a construção e a desconstrução de seu ser. Vivemos entre o prazer e o desprazer. Vida e morte andam lado a lado, em uma relação complexa e não simplesmente uma mera oposição.<br />
    A pulsão de vida tem como seus derivados a amorosidade, a criatividade, o desejo de expansão, a generosidade, em fim, tudo aquilo capaz de mobilizar a energia humana para a criação, expansão e manutenção da vida: é o que faz Elsa quase que todos os momentos de cada dia.<br />
     A “pulsão de morte” expressaria uma tendência para o retorno à imobilidade, que é o nosso ponto de partida  e como diz na bíblia, “Tu és pó, e ao pó tornarás” o homem busca esse retorno, o chamado Nirvana. Seus derivados seriam a auto destrutividade, a agressividade, a auto limitação de vida; o que Fred faz quando morre sua mulher, pois acredita não mais poder sorrir, viver e sim somente empanturrar-se de medicações. Freud diz que ela é, portanto, “a Pulsão por excelência, pois tende à redução absoluta das tensões internas, impelindo o ser vivo a retornar a um estado que, pela ausência de tensões, só poderia ser o estado inorgânico", onde não há representações. E como diz Lacan, em "toda a pulsão é virtualmente pulsão de morte". Assim, podemos dizer que a  pulsão de morte é a "pulsão do supereu": um sentimento de culpa e a busca de punição inconscientes, que são manifestações da tensão entre eu e supereu.<br />
    Com isso Freud se aproxima da relação amor X ódio; e acaba equiparando o amor a Eros, e o ódio a Thanatos. Essa aproximação se dá quando ele passa a trabalhar a dualidade vida X morte para prenunciar a fusão e a neutralização de Tanatos por Eros. Logo em seguida, ainda no texto, realça a importância, para o ser humano, da união com um outro. Tal união seria o "anseio germinal da espécie e fundamental para estimular os processos vitais".<br />
    É também em “Além do princípio do prazer”, que vai atribuir ao fenômeno da compulsão à repetição o caráter de uma força demoníaca que sobrepuja o princípio do prazer. A partir desse  momento fica evidenciada a importância do conceito de repetição, que pode  ser considerado como constitutivo do próprio conceito de inconsciente, na medida em que revela o movimento da pulsão. Repetição, inconsciente e pulsão estão, assim, intimamente ligados!<br />
     Ao dar destaque ao conceito de repetição enquanto conceito fundamental, pode-se perceber a  ligação que  Freud estabelece entre repetição e pulsão de  morte. A repetição é um trabalho fundamental da pulsão de morte que relança insistentemente algo da ordem do real. É esse encontro, essencialmente faltoso, que os sonhos traumáticos insistem em trazer de volta, no movimento de retorno a uma impossível origem, a um estado de repouso absoluto, com a eliminação de todas as tensões. No lugar desse objeto impossível de encontrar, o que se encontra sempre é o real. É este inassimilável, traumático, que determina o movimento do desejo, que é sempre desejo de outra coisa. E, como diz Nietzsche, "amamos o desejo, não o ser desejo, não o ser desejado". </p>
<p><em><br />
¹ Filme espanhol / argentino, dirigido por Marcos Carnevale, no ano de 2005.</em>
</p>
<p><a href="http://cantinhodapsicologia.nireblog.com/post/2008/09/16/alem-do-principio-de-prazer-de-sigmund-freud#comments">Comments</a></p>]]></description>
	<pubDate>Tue, 16 Sep 2008 17:15:07 -0300</pubDate>	</item>
	<item>
	<title>O Ego e o Id. De Sigmund FREUD</title>
	<link>http://cantinhodapsicologia.nireblog.com/post/2008/09/16/o-ego-e-o-id-de-sigmund-freud</link>
	<guid>http://cantinhodapsicologia.nireblog.com/post/2008/09/16/o-ego-e-o-id-de-sigmund-freud</guid>
		<description><![CDATA[<p><img id="image397706" alt="s.jpg" src="http://files.nireblog.com/blogs4/cantinhodapsicologia/files/s.jpg" align="right" /></p>
<p><em>Por Josy Sales Vieira e Emanuela Fernandes</em></p>
<p>O Eu (consciente e inconsciente) de um sujeito tem como função tentar organizar ou administrar as exigências que vem do Isso (com suas exigências pulsionais) e do Super Eu (que vai proibir as exigências pulsionais provenientes do Isso) e do mundo externo (como por exemplo: o trânsito, a faculdade, o trabalho, etc) a fim de se encarregar dos interesses da pessoa, porém o Eu não tem vitória, ele fracassa (em alguns sujeitos em maior ou menor grau, de acordo com a organização e controle do Eu interior de cada pessoa) e daí vem o sofrimento. O Eu não tem autonomia própria, o sujeito fala de si e não compreende, portanto sua idéia de percepção é equivocada. </p>
<p>“...Quanto mais fundamente penso, mais<br />
Profundamente me descompreendo.<br />
O saber é a inconsciência do ignorar...”    ¹</p>
<p>Há uma dependência do Eu perante o Isso e o Super Eu. O Eu da criança atende as exigências que vem do Isso, o seu Eu somente é formado à medida que a criança vai reconhecendo o outro.<br />
No Isso se tem a fonte das pulsões, a origem de nossa sexualidade, o pólo pulsional, este é inconsciente, onde se funde o recalcado, os traços mnémicos. O Isso exige que o sujeito tenha uma vida intensa eroticamente, uma vida pulsional, trazendo nossas exigências pulsionais. A criança nasce com o Isso, e este é ativado para a criança através do mundo; portanto não podemos justificar o comportamento de determinada criança, onde não saberemos se a criança será um futuro neurótico, histérico ou psicótico.  </p>
<p>“Beber a vida num trago, e nesse trago<br />
 Todas as sensações que a vida dá<br />
 Em todas as suas formas [...]” ¹               </p>
<p>Já no Super Eu, aparece como herdeiro do Complexo de Édipo, onde a função paterna tem uma posição elementar de dar limites a criança, a formação do Super Eu é imprescindível para que o sujeito cresça e saiba que na vida temos regras e que estas existem e precisam ser obedecidas.<br />
O Super Eu recrimina e condena, onde o sujeito se pune, onde implica um sentimento de inferioridade, mesmo que outro sujeito tente falar o contrário, e que o ambiente seja favorável para ele, ou seja, as exigências que o sujeito faz para ele mesmo. Nos neuróticos obsessivos o Super Eu está operando, onde o sujeito vai honrar o pai com as leis que ele outrora conheceu e obedeceu. Já nos melancólicos, o Super Eu esta no seu ápice com suas cobranças e agressividade, onde o sujeito não tem capacidade de reação. Na Histeria o sujeito conhece as regras que foram ditas, ou seja, ele tem referencia com a autoridade, porém ele quer mudá-las, lembrando que ele não as nega, acredita que estas regras são rígidas por demais, em contra ponto os Esquizofrênicos sim, estes, negam as regras.</p>
<p>“Sua inconsciência alegre é uma ofensa<br />
 Para mim. O seu riso esbofeteia-me!<br />
 Sua alegria cospe-me na cara!...”   ¹</p>
<p> No livro Madame Bovary², Emma me parece ora com características histéricas, ora melancólicas, ora neurótica obsessiva.<br />
Nas páginas 212/214 Emma, cheia de vida, de desejos, insaciável sofre demasiadamente quando toma conhecimento, através da carta de seu amante Rodolphe que o mesmo desiste de fugir; onde na eminência de se matar, desmaia. E depois, movimentos convulsivos por todo seu corpo, chega a desmaiar novamente, ficando durante dias sem capacidade de reações ao seu estado de convalescença.<br />
À medida em que se restabelecia (pág 220/222) passa do estado melancólico para o neurótico obsessivo, com disposições religiosas e com uma retidão em seus julgamentos e seus comportamentos num estado de neurose obsessiva com caridades obsessivas, “...Mme Bovary, mãe não encontrava o que criticar, salvo a mania de tricotar camisolas para os órfãos em lugar de remendar seus panos de prato...”<br />
No entanto seu esposo Charles Bovary (pág 225/227) propôs um passeio ao teatro, onde todo o cenário do ambiente a envolvia de tal forma que o desejo de Emma é novamente acionado, “....O coração de Emma começou a bater desde o vestíbulo...” e sai do seu estado anterior de “beata” com sua  Neurose Obsessiva e retornar ao seu estado natural de Histérica, onde busca recalcar as regras que são ali estabelecidas no mundo em que vive.
</p>
<p><a href="http://cantinhodapsicologia.nireblog.com/post/2008/09/16/o-ego-e-o-id-de-sigmund-freud#comments">Comments</a></p>]]></description>
	<pubDate>Tue, 16 Sep 2008 16:55:00 -0300</pubDate>	</item>
	<item>
	<title>Reflexões acerca da relação da Psicologia com os Direitos Humanos e o papel do psicólogo no processo de transformação social.</title>
	<link>http://cantinhodapsicologia.nireblog.com/post/2008/09/16/reflexoes-acerca-da-relacao-da-psicologia-com-os-direitos-humanos-e-o-papel-do-psicologo-no-processo-de-transformacao-social</link>
	<guid>http://cantinhodapsicologia.nireblog.com/post/2008/09/16/reflexoes-acerca-da-relacao-da-psicologia-com-os-direitos-humanos-e-o-papel-do-psicologo-no-processo-de-transformacao-social</guid>
		<description><![CDATA[<p><img id="image397682" alt="dh.jpg" src="http://files.nireblog.com/blogs4/cantinhodapsicologia/files/dh.jpg" align="right" /><br />
                      <em>   Por Emanuela Fernandes</em></p>
<p>O que norteia a proposta dos Direitos Humanos é a idéia de que os homens são essencialmente iguais, capazes de amar, descobrir a verdade e recriar. O primeiro reconhecimento normativo da igualdade essencial da condição humana remonta ao final do século XVIII, com a proclamação das liberdades individuais e da igualdade perante a lei, nos Estados Unidos e na França revolucionária. A partir do século XIX, com o reconhecimento de que todos têm direito a condições de trabalho dignas, à fruição dos serviços públicos de caráter social, bem como à garantia previdenciária contra os principais riscos da vida em sociedade, a história dos direitos humanos passou a desenvolver-se em função do princípio fundamental da solidariedade. A exigência de uma organização solidária da vida em sociedade estendeu-se, na segunda metade do século XX, do plano interno para o internacional, com a afirmação dos direitos dos povos à existência, à autodeterminação, à democracia, à paz e ao desenvolvimento. Chegamos ao terceiro milênio, à dimensão universal da dignidade humana, com o reconhecimento, por várias convenções internacionais, dos direitos fundamentais da humanidade, tais como o de proteção ao equilíbrio ecológico, o de preservação dos monumentos de valor estético ou histórico, por exemplo.<br />
Existe, de fato, um importante debate sobre a origem cultural dos direitos humanos.<br />
As teorias que defendem o universalismo dos direitos humanos se contrapõem ao relativismo cultural, que afirma a validez de todos os sistemas culturais e a impossibilidade de qualquer valorização absoluta desde um ponto de vista externo, que neste caso seriam os direitos humanos universais.  </p>
<p>Somos bombardeados a cada dia com cenas ou relatos de violência, quer física, moral ou intelectual. Com o passar do tempo, as pessoas já não se surpreendem e ainda consideram “normal” o que acontece; refletindo o conformismo e partilhando da idéia de que nada se pode fazer.  Sobre a violência,  COSTA (2003, pág. 31) nos diz:</p>
<p>                  “a violência não tem outra causa senão a satisfação dos impulsos e desejos destrutivos do homem. Os motivos vis ou nobres são racionalizações destinadas a justificar, perante a consciência, a existência desta destrutividade”.</p>
<p>E diz ainda que “num segundo contexto, a violência aparece como uma conseqüência do ‘conflito de interesses’”. Interesses esses que vão além de conflitos internos, como pensou Freud, chegando a conflitos que  levam o homem a cometer coisas imagináveis ou a omitir-se. Por conta disso vivemos uma verdadeira batalha em que por um lado, buscamos tornar os direitos humanos cada vez mais populares e por outro nos deparamos com gigantescas violações desses mesmos direitos; o que assusta e preocupa porque essa violação parte, muitas vezes, daqueles que chamamos autoridades, instituições; o que para nós deveria ser modelo a seguir e que cuja função seria zelar pela difusão, compreensão e efetivação desses direitos. Tomemos como exemplo o caso dos direitos das crianças, onde observamos que, apesar da criação do Estatuto da Criança e do Adolescente no Brasil desde 1990, o quadro da infância e juventude ainda é complicado. Os indicadores de fome, doenças, analfabetismo, trabalho infantil, violências, chacinas, exploração sexual, entre outros, demonstram que não lhes asseguramos proteção.</p>
<p>       Marilena Chauí assinala que “a prática de declarar direitos significa, em primeiro lugar, que não é um fato óbvio para todos os homens que eles são portadores de direitos e, por outro lado, que não é um fato óbvio que tais direitos devam ser reconhecidos por todos. A declaração de direitos no social e no político, afirma sua origem social e política e se apresenta como objeto que pede o reconhecimento de todos, exigindo o consentimento social e político”.<br />
Mas será que é assim que funciona? CAMINO (1998) nos coloca dois tipos de direito. Por um lado temos o direito natural – que são direitos inerentes à natureza humana / características inatas, essenciais e o direito positivo – onde os direitos seriam produtos assimilados pela consciência coletiva através da história. É uma constituição histórica e que resulta da reivindicação das organizações, das mobilizações, onde a vigência dos Direitos Humanos na sociedade estará determinada tanto pela força da consciência coletiva que se tem deles como pela capacidade ou poder político de inscrevê-los na ordem jurídica.<br />
O progressivo reconhecimento dos Direitos Humanos se sustenta no reconhecimento da Igualdade. E como diz Paulo Freire, a educação deve ser dialógica, adotando o educador posturas que levem à colaboração, união, organização, síntese cultural e reconstrução do conhecimento. Devendo-se superar comportamentos comuns na educação tradicional, tais como invasão cultural e imposição de valores e de conhecimentos, adotando a pedagogia da indignação e jamais do conformismo;  induzindo os educandos à participação social, à contradição, à visão universal que supere etnias, classes, nações etc., buscando a construção de uma visão de mundo orientadora de práticas políticas voltadas para a educação emancipadora  tão necessária para a transformação social.<br />
 	Paulo Freire dialoga com as várias dimensões da subjetividade e da cultura. A pedagogia da autonomia proposta por ele articula a dimensão dialógica na prática educativa com uma busca pela igualdade na diferença como fundamento da nova relação entre educando e educador. O processo se dá em uma via de mão dupla, em que tanto o aprendente   como o ensinante estudam e aprendem, buscando dar ênfase à necessidade de criar uma relação nova entre os indivíduos, de forma que fique ressaltado que o ato de aprender e conhecer se dá de forma conjunta, como modo de não aceitação da sociedade como ela está e, ainda, como a busca do conhecer para transformar a realidade a partir da conscientização. Segundo o autor, a conscientização significa a tomada de consciência onde o objeto pode ser cognoscível, e comporta um ir além da apreensão de conteúdos, chegando à apreensão de uma fase crítica. Assim, há uma particular relação entre o atuar e o pensar. Uma pessoa ou um grupo de pessoas que se diz consciente, é aquele que foi capaz de descobrir, de ver a razão de ser das coisas, o porquê delas. Por isso a educação é dita como "uma situação gnosiológica", um processo onde educar significa comunicar, dialogar, e um encontro de sujeitos interlocutores que procuram a significação, fazendo o encadeamento desses significados para produzir sentido, como diz Lacan. Educar o homem em Direitos Humanos poderia ajudar na  construção de um sujeito cada dia mais autônomo e de  um mundo cidadão.<br />
Essa educação em direitos humanos deve “humanizar”, o que significa suscitar nos indivíduos capacidade de reflexão e de crítica, bem como a aquisição do saber, o acolhimento do próximo, a sensibilidade, a capacidade de encarar os problemas da vida, etc. E é por acreditar nisso que Paulo Freire aposta na idéia da educação socializadora da experiência coletiva e da competência crítica de todos e todas, buscando romper com os pensamentos conservadores da cultura que são instituídos por aqueles que se julgam detentores do poder.<br />
	Observe que sempre destacamos educadores quando falamos de Paulo Freire, mas onde entra a psicologia nesse processo? Qual o papel do psicólogo nessa busca da autonomia do sujeito e do cumprimento das leis que o asseguram direitos a uma vida digna e independente? Essas questões são externas à Psicologia ou se colocam diretamente ligadas a nossa prática profissional? Devemos tentar pensar como no cotidiano do psicólogo está presente uma prática que exclui, que produz estigma, que produz rótulo e que, com isso, fortalece a exclusão social como coisa natural e, achando que é possível uma atuação objetiva e neutra, violando os direitos humanos. A exemplo disso temos a atuação do psicólogo nas instituições encarregadas em avaliar o desempenho intelectual dos sujeitos a fim de classificá-los como aptos, inaptos, superdotados ou portadores de deficiências cognitivas. É claro que hoje já temos essa prática reduzida, mas ainda existente. Por isso dissemos que a Psicologia pode vir a participar claramente nos processos de exclusão e/ou inclusão que se desenvolvem no interior das sociedades, a partir da maneira de definir as diferenças sociais e culturais. É nesse sentido que as representações dos Direitos Humanos se relacionam com a inserção concreta dos indivíduos nos diversos grupos sociais e com suas posições ideológicas.<br />
Mas qual é, de fato, a relação que a Psicologia tem com os Direitos Humanos? Segundo CAMINO (1998), podemos pensar em dois papéis que esse profissional pode assumir, pois ele é, antes de tudo, um sujeito que possui suas particularidades.  O primeiro papel está a nível individual, onde temos o psicólogo-cidadão, aquele cuja responsabilidade é individual e a luta pela expansão dos direitos se refere a um problema de consciência própria, particular e moral tendo, portanto, plena relação com os valores éticos, o que o vai situar no nível social.  O segundo está a nível institucional, onde estariam os interesses grupais; sendo lá que as relações interpessoais se desenvolvem no que diz respeito a pertenças sociais: gênero, idade, classe social, profissão, crenças, ideologias, etc. Outro fator relevante é a identificação com causas ou bandeiras sociais.<br />
O fazer do psicólogo deve buscar estimular a busca dos direitos da liberdade, dos direitos da igualdade e do direito da solidariedade. Entre os direitos de solidariedade podemos destacar o direito à paz, ao desenvolvimento, à autodeterminação, ao ambiente natural ecologicamente equilibrado, e por que não à paridade nas relações comerciais entre países e à utilização do patrimônio comum da humanidade.<br />
Muitas são as implicações do psicólogo no âmbito da promoção do cumprimento das propostas dos Direitos Humanos. Assim, BALBINO  propõe algumas articulações em prol da promoção do cumprimento desses direitos:<br />
“1- Na universidade, por exemplo, os profissionais de Psicologia poderiam funcionar como agentes importantes na criação de projetos de ação focados em direitos humanos no ensino, na pesquisa e na extensão. 2- Participação mais efetiva e competente da categoria nos trabalhos do terceiro setor - as Organizações Não Governamentais (ONGs) - como forma alternativa de buscar resolver os problemas sociais. 3- Importante também refletir sobre a participação dos psicólogos em trabalhos voluntários e em grandes projetos nacionais visando a promoção da cidadania dos brasileiros e contribuir para uma sociedade mais democrática. Participação mais efetiva nos grandes projetos e discussões nacionais (destaque para cursos/institutos e órgãos representativos da categoria). 4- Acho importante que a ciência psicológica saia, cada vez mais, dos seus redutos (consultórios, divãs, empresas, escolas, revistas especializadas, congressos científicos, etc.) e ganhe maior notoriedade social também nas grandes discussões nacionais e na imprensa de massa (jornais, rádios,TV etc.) no contato direto com o povo. 5- Estabelecendo metas além da Psicologia estritamente, importante se torna preparar o psicólogo para os grandes desafios sociais - romper os limites profissionais na busca de atuações emergentes, inovadoras e relevantes no cenário político. As aprovações recentes de psicólogos como diplomatas brasileiros caminham nessa direção.” </p>
<p>Considerações Finais</p>
<p>Cabe a nós, psicólogos, buscarmos nossas inserções nas etapas de discussão e construção dos projetos sociais e pedagógicos, envolvendo-nos em processos de motivação e de empoderamento, de forma a incentivar a participação de outros sujeitos na construção de um entorno mais democrático e participativo e, assim, acreditando na possibilidade de mudança do ser humano, devemos impulsioná-lo à essas buscas constantes.de uma sociedade mais igualitária . </p>
<p>Referências Bibliográficas</p>
<p>1-	BALBINO, Vivina do C.  Violações dos direitos humanos no Brasil e propostas<br />
           de mudanças na formação e prática do psicólogo. In: WWW.google.com.br.<br />
     2-   BETTO, Frei. Cidadania: Educação em Direitos Humanos. In:<br />
                http://www.dhnet.org.br/educar/redeedh/bib/betto.htm<br />
     3- COIMBRA, Cecília et al. Psicologia, Ética e Direitos Humanos. Comissão<br />
               Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia. Brasília:<br />
               Conselho Federal de Psicologia, 1998.<br />
     4-  COSTA, Jurandir Freire. Violência e psicanálise. Rio de Janeiro, Edições Graal,<br />
            3ª edição, 2003.<br />
5-	FERNÁNDEZ, Alicia. A inteligência Aprisionada. Porto Alegre: Artmed, 1991.<br />
6-	FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro: Editora<br />
            Terra, 1967.<br />
7-	WWW.wikipedia.com<br />
8-	Anotações das aulas de Psicologia Social II, ministradas pela professora Luciana Maia.
</p>
<p><a href="http://cantinhodapsicologia.nireblog.com/post/2008/09/16/reflexoes-acerca-da-relacao-da-psicologia-com-os-direitos-humanos-e-o-papel-do-psicologo-no-processo-de-transformacao-social#comments">Comments</a></p>]]></description>
	<pubDate>Tue, 16 Sep 2008 15:53:22 -0300</pubDate>	</item>
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